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· Atualizado em · 7 min de leitura

Plataforma de Andamentos Processuais 2026: 8 Critérios Técnicos

Por TrackJud

O que avaliar antes de assinar plataforma de andamentos processuais: cobertura, latência, API, SLA, LGPD. Decisão técnica sem hype.

Plataforma de andamentos processuais é uma decisão de infraestrutura — uma vez integrada no fluxo (KYC, compliance, gestão de prazos, dashboard executivo), trocar é caro. O custo de migração inclui re-treinar usuários, ajustar integrações, refazer auditoria de conformidade, e perder histórico capturado.

Vale escolher com cuidado. Este post não é comparativo de vendors (já temos isso em Comparativo de APIs e Vigilant vs JUDIT vs Escavador). É um framework dos 8 critérios técnicos que separam plataforma sólida de plataforma frágil — independente do vendor.

Quem deveria ler isto

  • Compliance officer ou líder de operações avaliando solução de monitoramento processual
  • TI legal de empresa B2B montando arquitetura de dados judiciais
  • Sócio gestor de escritório considerando upgrade de planilha pra plataforma
  • Comprador corporativo elaborando RFP/RFQ pra contratação

Os 8 critérios que importam

1. Cobertura por tribunal — quantitativa, não qualitativa

A maioria das plataformas marketing diz “cobertura nacional”. Investigue com 3 perguntas:

  • Quais TJs estão cobertos, listando os códigos (TJSP, TJRJ, TJMG, TJDFT, TJBA, TJCE, etc.)?
  • A cobertura inclui 1ª e 2ª instância ou só 1ª?
  • Sistemas duais (TJBA, TJCE têm ESAJ + PJE) são consultados em ambos?

Vendor que responde “todos os tribunais” sem listar é red flag. Bom vendor te entrega tabela: 24 TJs (12 cobertos integralmente, 8 parciais, 4 em roadmap), 5 TRFs, etc.

2. Latência de captura

Quando o tribunal publica intimação, quanto tempo até a plataforma ter o dado?

LatênciaAdequado pra
≤ 6hMonitoramento de prazos críticos, resposta a citações urgentes
6-24hKYC bancário, compliance regulatório
24-72hDiligência B2B, M&A
7-30 diasAnálise estatística, dashboards executivos
> 30 diasPesquisa empírica acadêmica

Pergunta-chave: “qual o percentil 95 de latência das vocês?”. Resposta vaga ou em média (sem distribuição) sinaliza vendor que não monitora.

3. Granularidade do dado retornado

Plataforma retorna o quê? Listas decrescentes de granularidade:

  1. Apenas número CNJ + classe — útil só pra contagem
  2. + partes, assunto, status — útil pra triagem
  3. + movimentações com data e tipo — útil pra prazo, alertas, due diligence
  4. + valor da causa, foro, vara — útil pra análise de risco financeiro
  5. + peças (PDF do processo) — útil pra análise jurídica profunda

Maior granularidade = preço maior. Decisão depende do uso. Pra KYC, nível 3 basta. Pra due diligence M&A séria, nível 4. Pra análise jurídica detalhada, nível 5 (geralmente extra).

4. Modos de integração

Webhook, REST API, bulk export — qual a plataforma oferece?

  • Webhook é mandatório pra monitoramento contínuo (você é notificado quando algo muda).
  • REST API é mandatório pra consulta on-demand (motor de decisão consultando ao vivo).
  • Bulk export é opcional mas útil pra análise (treinar modelos, dashboards).

Plataforma que só oferece web UI (sem API) é pra usuário final, não integração. Cuidado se sua estratégia depende de automação.

5. SLA contratual

Em ordem de importância:

  • Uptime garantido (99.5%, 99.9%, 99.95%, 99.99% — cada nove é uma ordem de magnitude de complexidade infra)
  • Janela de manutenção (deve ser fora do horário comercial brasileiro: 23h-5h é padrão)
  • Tempo de resposta de suporte por severidade (Critical em 1h, Major em 8h, Minor em 24h é razoável)
  • Compensação por falha (créditos? reembolso? cláusula penal?)

SLA “best effort” sem números é equivalente a não ter SLA. Pra fintechs e bancos sob regulação, SLA contratual mensurável é não-negociável.

6. Suporte LGPD e auditoria

A LGPD não isenta o controlador de dados (você) só porque os dados vieram de fonte pública. Plataforma profissional fornece:

  • DPA (Data Processing Agreement) assinado, definindo papéis (controlador/operador) e responsabilidades
  • Audit log das consultas (quem, quando, qual CPF/CNPJ) — obrigatório pra demonstrar legítimo interesse em auditoria ANPD
  • Política de retenção clara (dados de clientes cancelados são apagados em N dias)
  • Suporte a Direito de Exclusão (titular pediu remoção, plataforma processa em prazo)

Plataforma que dá só o JSON e te deixa sozinho com responsabilidade LGPD é red flag pra empresa regulada.

7. Modelo de pricing

Quatro padrões comuns:

  • Por consulta: paga por busca individual (R$ 0,10-1,00 por tribunal). Bom pra volume previsível, ruim quando volume cresce inesperadamente.
  • Por monitoramento: paga por CPF/CNPJ monitorado por mês (R$ 1-10 por unidade). Bom pra carteira estável, ruim quando carteira é dinâmica.
  • Plano + créditos: assinatura mensal + créditos inclusos (ex: R$ 1.000/mês com 10.000 créditos). Bom pra previsibilidade.
  • Enterprise sob consulta: contrato anual com volume garantido. Adequado pra grandes consumidores (1M+ consultas/mês).

Avalie se o modelo escala com seu uso real. Modelo errado vira fonte de bill shock — vendor cobra inesperadamente alto quando volume sobe.

8. Roadmap e estabilidade do vendor

Critério subestimado mas fundamental:

  • Há quanto tempo o vendor está no mercado? (4+ anos é maduro)
  • Qual a base de clientes (5+ clientes Enterprise, 100+ clientes total é sinal)
  • Roadmap público — o que vem em 6/12 meses?
  • Última atualização de feature (vendor sem release em 6 meses pode estar congelado)
  • Comunidade técnica (Slack, GitHub público, eventos)

Vendor que some no meio do contrato deixa o cliente refém. Pra contrato de 12+ meses, due diligence do vendor é tão importante quanto due diligence do produto.

Como fazer um RFP/RFQ útil

Pra empresa que vai contratar, recomendo um RFP estruturado em 4 seções:

Seção 1: Cobertura

  • Lista de TJs/TRFs/TRTs com cobertura confirmada e em roadmap
  • Latência percentílica (p50, p95, p99) por tribunal
  • Granularidade do dado por tribunal

Seção 2: Integração técnica

  • API REST OpenAPI 3.x?
  • Webhook signing (HMAC)?
  • Rate limit?
  • Sandbox pra teste?
  • Bulk export disponível?

Seção 3: Operação

  • SLA detalhado (uptime, suporte, manutenção)
  • Modelo de pricing com simulação do seu volume
  • Onboarding (tempo médio até primeira consulta produtiva)

Seção 4: Compliance

  • DPA pronto pra assinar
  • Audit log demo
  • Política de retenção
  • Certificações (ISO 27001, SOC 2 se relevante pro seu setor)

Vendor que não responde objetivamente a essas 4 seções não está pronto pra cliente Enterprise. Eliminar na triagem é melhor que descobrir 6 meses depois.

Onde a Vigilant se posiciona

Pra contexto, este post é honesto também sobre nossa solução. A Vigilant é uma das opções nesse mercado, mas tem características específicas:

  • Cobertura: 12 TJs estaduais + 2 TRFs (TRF1, TRF3). TRTs ainda não cobertos.
  • Latência: p95 de ~24h pra novos processos, p99 ~48h. Em queries on-demand, resposta em ~60s.
  • Granularidade: nível 4 (até valor da causa, foro, vara). Peças (nível 5) não disponíveis.
  • Integração: REST API OpenAPI 3.1, webhook com HMAC-SHA256, sem bulk export por enquanto.
  • SLA: documentado em contrato Enterprise; 99.5% uptime garantido; suporte e-mail/Slack pra Critical em 1h.
  • LGPD: DPA disponível pra Enterprise, audit log automático em todas consultas, retenção configurável (90 dias default).
  • Pricing: R$ 0,10/consulta + planos com créditos inclusos. Sem mínimo mensal pra Free Tier (5 créditos grátis).
  • Roadmap público: TRT-1, TRT-2, TRT-3 em prioridade pra 2026; CNPJ search em roadmap; PDF de peças sob avaliação.

Em comparação direta com JUDIT, Escavador, Codilo, JusBrasil e DataJud, o ângulo da Vigilant é simplicidade e precificação por uso (sem mínimo mensal). Não somos a mais barata em volumes Enterprise (Escavador costuma ganhar nesse perfil), nem temos cobertura mais ampla (JUDIT cobre TRTs). Vencemos em onboarding rápido e API direta.

Próximos passos

Plataforma de andamentos processuais é commodity em features superficiais (todo vendor diz que faz scraping). É diferencial em SLA, cobertura percentílica, integração técnica e suporte LGPD — onde os 8 critérios acima moram. Vale o tempo de avaliação técnica antes de assinar contrato.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre 'plataforma' e 'API' de andamentos processuais?

Plataforma é o produto ponta a ponta: painel web pra ver processos, alertas em interface, CRM/agenda integrados, exportação de relatórios. API é a infraestrutura — o seu sistema chama a API e recebe dados em JSON. Plataforma serve pra usuários finais (advogado, compliance officer); API serve pra integrações (motor de risco, CRM próprio). Algumas soluções oferecem só plataforma (Escavador básico), outras só API (DataJud), e algumas oferecem ambos (Vigilant, JUDIT, Escavador enterprise). A escolha depende de quem vai consumir os dados — humano ou software.

Quantos tribunais uma plataforma de andamentos precisa cobrir?

Depende do seu portfólio. Pra escritório B2C de varejo (consumidor pessoa física), 5-7 tribunais cobrem 80% do volume (TJSP, TJRJ, TJMG, TJDFT, TJBA, TJRS, TJPR). Pra escritório B2B nacional, 12+ tribunais. Pra fintech/banco com clientes em todo o país, idealmente 24 (todos os TJs estaduais). Verifique a distribuição geográfica do seu portfólio antes de comprar — pagar por cobertura que não usa é desperdício, mas faltar tribunais relevantes vira gap de risco. Vale pedir relatório de cobertura por estado e número de processos efetivamente capturados em cada um.

Qual a latência aceitável entre a publicação e a captura?

Depende do uso. Pra monitoramento de prazos críticos: ≤ 24h é mandatório (a maioria das intimações dá prazo de resposta de 5-15 dias úteis, latência maior reduz janela operacional). Pra compliance/KYC: 7-30 dias é aceitável (decisão de risco não é tempo-crítica). Pra análise estatística: 30-90 dias serve (DataJud). Pergunta-chave ao vendor: 'em que percentil das captações vocês entregam abaixo de 24h?'. Resposta vaga ou 'depende' é red flag — bom vendor monitora latência percentílica e responde com números.

Plataforma de andamentos resolve LGPD pra mim?

Não. Plataforma fornece a fonte de dados (que é pública pelos arts. 7º §4º da LGPD e Resolução CNJ 121/2010), mas você é o controlador do dado depois que captura. Suas obrigações: (1) ter base legal documentada pro tratamento (legítimo interesse, exercício regular de direitos, ou consentimento), (2) registrar no RoPA (Registro de Operações de Tratamento), (3) ter política de retenção (quando vai apagar dados de cliente que cancelou), (4) responder a solicitações ANPD se houver. Plataforma boa fornece audit trail e DPA (Data Processing Agreement) pra clientes Enterprise. Plataforma ruim só te entrega o JSON e te deixa sozinho com a responsabilidade.

Vale construir scraping próprio em vez de usar plataforma?

Raramente. Custos ocultos do scraping próprio: (1) infraestrutura de proxy (R$ 500-3000/mês pra evitar IP bloqueado), (2) CAPTCHA solving (TwoCaptcha/2Captcha cobra US$ 1-3/mil resolução, e a maioria dos tribunais tem CAPTCHA), (3) manutenção contínua quando layout do tribunal muda (a cada 6-12 meses, esperado), (4) cobertura — TJSP é escola de tribunal pra scraper, mas TJBA, TJRO, TJSC têm peculiaridades que demandam dezenas de horas de adaptação cada. Custo total: 2-3 desenvolvedores em tempo integral. Plataforma SaaS cobra centavos por consulta. Faz conta de padaria: scraping próprio só se justifica acima de 5 milhões de consultas/mês com SLA muito específico.

Como avaliar SLA da plataforma?

Pergunte (1) uptime garantido (99.5% é mediano, 99.9% é bom, 99.95% é excelente), (2) janela de manutenção planejada (deve ser fora do horário comercial), (3) compensação por falha de SLA (créditos? reembolso?), (4) tempo de resposta de suporte por severidade. Plataforma sem SLA contratual é pra escritório/startup que aceita risco. Plataforma com SLA mas vago ('best effort') também não vale. Bom SLA é específico: 'resposta em 1h pra incidentes Critical, 8h pra Major, 1 dia útil pra Minor, créditos de 10% da fatura mensal por incidente Critical não-resolvido em 4h'. Em fintechs/bancos com processos regulatórios, SLA contratual é não-negociável.

A cobertura inclui Tribunais Federais (TRFs) e do Trabalho (TRTs)?

Geralmente não na cobertura básica, sim em planos enterprise. Justiça Federal (TRFs e Justiças Federais Estaduais) tramita causas contra a União, INSS, autarquias federais — é fonte separada dos TJs estaduais. Justiça do Trabalho (TRTs) tramita causas trabalhistas — outra fonte. Cobertura completa de risco brasileiro exige TJs + TRFs + TRTs. Algumas plataformas (Escavador, JUDIT enterprise) cobrem os três. Vigilant atualmente cobre 12 TJs estaduais + 2 TRFs (TRF1, TRF3) — cobertura TRT está no roadmap mas ainda não está em produção. Importante validar isso antes de comprar pra evitar surpresa.

Como integrar a plataforma no meu sistema interno?

Três caminhos comuns, em ordem de complexidade: (1) **Webhook**: plataforma chama URL sua quando algo muda (intimação, novo processo). Você implementa o handler. Mais comum em monitoramento contínuo. (2) **REST API polling**: seu sistema bate na API da plataforma pra consultar quando precisa. Padrão pra integração on-demand. (3) **Bulk export (CSV/Parquet)**: plataforma exporta dump pra você processar em batch. Padrão pra análise estatística e ML training. Vale validar qual modo a plataforma suporta antes — algumas só fazem polling, outras só webhook. Pra integração rica (ex: motor de decisão de crédito), webhook + polling combinados é o padrão.

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