Como funciona a integração do Vigilant com Google Sheets
Por TrackJud
Conecte a API do Vigilant ao Google Sheets pra automatizar pesquisa processual por CPF direto na planilha. Arquitetura, Apps Script, decisões e quando faz sentido. Atualizado abril 2026.
TL;DR: Google Sheets + Google Apps Script + API do Vigilant = pesquisa processual automatizada direto na planilha, sem sair do Google Workspace. O advogado adiciona um CPF na planilha, clica em “Pesquisar” (ou agenda pra rodar toda semana), e os processos aparecem nas linhas abaixo. Zero infra, zero custo de ferramenta (Apps Script é grátis), custo da API = R$ 0,10 por consulta. Limite prático: ~50-100 CPFs por execução. Pra volumes maiores, escala pra Make/n8n.
Google Sheets é uma das ferramentas mais presentes em escritórios de advocacia brasileiros. Advogados e estagiários montam planilhas para controlar carteira de clientes, prazos, custas — e, quase sempre, resultados de pesquisa processual copiados à mão. Esta é uma das várias formas de automatizar a pesquisa processual no escritório.
O problema: essa pesquisa ainda é um processo manual. O advogado abre cada tribunal, digita o CPF, copia o resultado para a planilha. Como a planilha já existe e já é parte do fluxo do escritório, a pergunta natural é: por que não chamar a API do Vigilant de dentro da própria planilha?
Este artigo explica o conceito, quando faz sentido usar essa abordagem, e quais decisões você precisa tomar antes de começar. Para entender os endpoints, schemas e formatos de resposta que você vai consumir, a documentação oficial da API tem a referência técnica completa em curl, Python e JavaScript — você adapta para o ambiente que usar.
A ideia central
Google Sheets tem um motor de scripts embutido chamado Google Apps Script, que é JavaScript rodando na nuvem do Google, gratuito, com acesso direto às células da planilha. Apps Script pode fazer chamadas HTTP externas, ou seja: pode chamar a API do Vigilant como se fosse qualquer outro cliente.
Isso permite criar funções personalizadas que o advogado usa como qualquer fórmula nativa do Google Sheets:
=PESQUISAR_CPF(A2, "TJSP,TJMG")
Você digita essa fórmula na célula, o Apps Script chama a API do Vigilant, recebe o JSON com os processos e devolve um resumo na célula. O advogado vê o número de processos aparecer em tempo real, sem sair da planilha.
Arquitetura em alto nível
[ Planilha Google Sheets ]
│
│ (fórmula custom =PESQUISAR_CPF)
↓
[ Apps Script (JavaScript) ]
│
│ HTTPS
↓
[ API Vigilant ]
│
↓
[ Tribunais brasileiros ]
Nada mais complexo que isso. A planilha dispara o script, o script chama a API, a API retorna o JSON, o script extrai o que interessa e escreve na célula.
Quando faz sentido usar essa abordagem
Esse padrão é ideal quando:
- Volume baixo a médio — até ~500 pesquisas por mês. Acima disso, a API direta ou um backend próprio ficam mais eficientes.
- Escritório sem equipe técnica — não exige um desenvolvedor. Um advogado com noções básicas copia o exemplo oficial da doc e adapta.
- Workflow já centrado em planilha — faz mais sentido integrar na ferramenta que o escritório já usa do que forçar uma mudança de processo.
- Pesquisas pontuais ou exploratórias — advogado preenche uma lista de CPFs prospectivos e rapidamente vê quem tem histórico processual.
Não faz sentido quando:
- Volume alto (milhares de pesquisas/mês) — Apps Script tem limite de execução de 30 segundos por função personalizada, e o Google impõe cotas diárias de fetch externo
- Fluxo precisa ser transacional — não dá para rodar em produção com SLA
- Dados sensíveis — a API key fica no código do Apps Script e pode vazar se a planilha for compartilhada incorretamente
Decisões que você precisa tomar antes
1. Onde guardar a API key
A forma mais segura é usar PropertiesService do Apps Script, que armazena a chave fora do código-fonte. Assim, mesmo se alguém visualizar o script, a chave não aparece. A documentação oficial da API explica o passo-a-passo.
2. Função síncrona ou assíncrona
O Vigilant retorna resultados em cache instantaneamente (status 200) ou inicia um job em background (status 202). Para planilhas, o jeito mais confortável é usar só o cache: se os dados estão frescos, retorna na hora; se não, retorna “processando” e você re-roda a fórmula depois. Isso evita timeouts dentro do Apps Script.
3. Uma célula = um CPF ou uma célula = um tribunal
Você pode estruturar a planilha de dois jeitos:
- Uma linha por CPF, com uma célula resumo por tribunal:
=PESQUISAR_CPF(A2, "TJSP"),=PESQUISAR_CPF(A2, "TJMG"), etc. - Uma linha por processo encontrado, usando uma função que retorna múltiplas linhas (Apps Script suporta arrays de retorno)
A primeira é mais simples; a segunda é melhor para análise detalhada. Escolha conforme o uso.
4. Quando re-pesquisar
Apps Script não re-executa fórmulas sozinho a menos que você mude alguma célula. Se você quer atualização automática (monitoramento), use um gatilho de tempo (trigger) que re-executa uma função toda segunda-feira às 7h, por exemplo. Aí a planilha vira um pequeno sistema de monitoramento — não uma consulta sob demanda.
Padrões de uso no escritório
Due diligence de novos clientes
Uma aba com lista de CPFs prospectivos. Coluna com fórmula =PESQUISAR_CPF(cpf, tribunais). Advogado cola os CPFs, aperta Enter, e em segundos vê quem tem histórico — ferramenta de triagem antes de aceitar o caso.
Monitoramento de carteira ativa
Lista de clientes ativos. Gatilho semanal que re-pesquisa todos e compara com o total anterior. Se algum cliente tem novos processos, envia e-mail ao advogado responsável (Apps Script tem acesso nativo ao Gmail).
Triagem de fornecedores
Lista de fornecedores + CPFs dos sócios. Re-pesquisa mensal. Alerta se o volume de processos cruzar um limite.
Limites práticos
- Timeout: funções personalizadas do Apps Script têm 30 segundos de timeout. Pesquisa em 10+ tribunais pode estourar esse limite. Quebre em chamadas menores.
- Cota diária: Google limita chamadas
UrlFetchAppa 20.000/dia em contas gratuitas. Mais que suficiente para escritórios pequenos e médios. - Compartilhamento: se você compartilhar a planilha editavelmente com outra pessoa, o Apps Script roda com as credenciais do proprietário. Pode ser problema para quem paga, não é para a chave.
- Dados retornados: o JSON do Vigilant é grande (parte, movimentações, assuntos). Extraia só o que interessa na fórmula — não cole o JSON inteiro em uma célula.
Quando migrar para algo mais robusto
Quando você sentir:
- Lentidão nas pesquisas (timeout frequente)
- Necessidade de agendamento preciso (não só “segunda-feira às 7h”, mas “todo dia às 3h”)
- Armazenamento histórico (comparar processos entre execuções, gerar relatórios)
- Integração com outras ferramentas (CRM, Slack, ERP do escritório)
A evolução natural é sair do Apps Script e usar uma ferramenta de automação visual (Make, n8n, Zapier) ou um backend próprio. Mas para 80% dos casos, planilha resolve.
Aspectos legais
Dados processuais públicos têm base legal de tratamento sob a LGPD (Art. 7º, §4º). Nenhum problema em processar resultados de consulta pública dentro de uma planilha corporativa do escritório, desde que a finalidade seja legítima (defesa do cliente, gestão de risco, compliance).
A API key é um dado sensível do seu próprio escritório (não do titular do CPF). Proteja a chave como senha — use PropertiesService, não deixe exposta em planilhas compartilhadas.
Referência técnica da API
A implementação concreta depende dos endpoints, schemas e respostas que a API expõe. A documentação oficial é o lugar onde isso vive mantido e atualizado:
- vigilant.trackjud.com.br/api/docs — Scalar UI interativa (PT/EN)
Você encontra lá: fluxo de autenticação (como obter uma API key), formato de cada endpoint, schemas de resposta (ProcessRecord, Consult, CourtSources), códigos de erro segundo RFC 7807, e exemplos de chamada em curl, Python e JavaScript. A partir desses exemplos base, você adapta para o ambiente que preferir — seja uma função de Apps Script, um workflow no Make, ou um backend próprio.
Conclusão
Integrar Vigilant a Google Sheets é um atalho realista para escritórios que já têm o workflow centralizado em planilha e querem eliminar a parte manual da pesquisa. A complexidade é baixa, o retorno é imediato, e o limite de escala (Apps Script) é suficiente para a maioria dos escritórios pequenos e médios.
Se você está nesse perfil, começe pelo caso de uso mais doloroso (normalmente triagem de novos clientes ou monitoramento de carteira), monte uma planilha pequena de prova, valide, e expanda.
5 créditos grátis no cadastro. Sem cartão de crédito. Criar conta no Vigilant.
Perguntas frequentes
Minimamente. Google Apps Script é JavaScript simplificado — se você consegue copiar e colar código e trocar variáveis (como a API key e os tribunais), consegue fazer a integração. O código pronto pra copiar está neste artigo e na documentação da API. Pra quem não quer tocar em código nenhum, a alternativa é usar Make (Integromat) como intermediário visual entre o Sheets e a API — arrasta blocos sem escrever código.
Sim, mas com outra tecnologia. No Excel, o equivalente ao Apps Script é o Power Query (pra consultas REST) ou VBA (pra automação completa). Power Query conecta nativamente a APIs REST e consegue buscar JSON. VBA é mais poderoso mas menos acessível pra não-programadores. Se você usa Excel Desktop (não online), Power Query é a recomendação. Se usa Excel Online, a integração é mais limitada — considere migrar a planilha pra Google Sheets.
O limite técnico do Google Apps Script é 6 minutos de execução por trigger. Na prática, isso permite processar ~50-100 CPFs por execução (dependendo de quantos tribunais e se o cache está quente). Pra volumes maiores, a solução é dividir em batches (50 CPFs por execução, trigger a cada 15 minutos) ou migrar pra Nível 2 de automação (Make/n8n) que não tem esse limite. Detalhes sobre os 3 níveis de automação no post [como automatizar pesquisa processual](/blog/pt-br/automatizar-pesquisa-processual-escritorio/).
Sim. O Google Apps Script tem triggers (gatilhos) baseados em tempo. Você configura pra rodar diário, semanal, ou mensal — a planilha chama a API sozinha, grava os resultados e pode enviar e-mail de resumo. É a base do monitoramento contínuo via planilha. Pra mais detalhes sobre frequência e arquitetura de monitoramento, veja [monitoramento de processos com alertas por CPF](/blog/pt-br/monitoramento-processos-alertas-cpf/).
Google Apps Script é gratuito (faz parte do Google Workspace). O custo é apenas o uso da API do Vigilant: R$ 0,10 por consulta por tribunal. Pra um escritório que processa 50 CPFs/semana em 5 tribunais: 50 × 5 = 250 consultas/semana × R$ 0,10 = R$ 25/semana = ~R$ 100/mês. O cache de 2 dias reduz o custo real em 30-50% (CPFs sem mudança são servidos gratuitamente). Preços em [/pricing/](/pricing/).
Parcialmente. O Apps Script armazena o código na conta Google — não é público. Mas se você compartilha a planilha com outras pessoas, elas podem ver o código (e a key). Recomendações: (1) use PropertiesService do Apps Script pra armazenar a key como variável de ambiente em vez de hardcode; (2) se a planilha for compartilhada com muitas pessoas, use um intermediário (Make/webhook) que esconde a key.
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